Centro Histórico de João Pessoa

João Pessoa é a terceira capital mais antiga do nosso país, a cidade foi fundada em 1585 com o nome de Nossa Senhora das Neves e possui um centro histórico riquíssimo de belas construções. Apesar de todo esse acervo histórico-cultural, tenho a impressão de que o centro histórico não recebe o devido valor que deveria receber. Me refiro a uma divulgação num âmbito mais nacional, sabe? E olha, afirmo isso com conhecimento de causa, pois estudei arquitetura e fiz especialização em patrimônio arquitetônico no Brasil e ouvi falar muito pouco sobre as construções históricas que temos lá. Ao todo são cerca de 502 edificações históricas dispostas em uma área de aproximadamente 370 mil m2. Essa falta de divulgação me chamou a atenção quando fui pesquisar sobre a viagem. Geralmente falamos muito em Salvador, Rio de Janeiro, Recife, Olinda e não tiro o mérito de nenhuma dessas cidades, apenas acho que deveríamos falar muito mais em João Pessoa, seja para conhecer ou divulgar as joias arquitetônicas que lá se encontram.

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A região onde estão localizadas essas edificações mais antigas é no centro histórico. Para chegar lá se pode pegar um ônibus na Av.Beira Mar que levará cerca de 45 minutos para chegar, uma segunda opção é contratar um passeio ao “centro histórico” com as empresas de tour privado e a terceira seria pegar um táxi. Eu fui de ônibus de linha normal e voltei de táxi. Acho interessante a ideia de ir de ônibus de linha para ir “passeando” num economic mode, a volta de táxi foi providencial em função de ser mais rápida pois já estava escurecendo e a região central das nossas cidades em geral fica meio deserta. Acho que a opção de contratar um passeio é mais para quem quer ter uma ideia do todo, eu geralmente acho que os guias falam muita decoreba, infelizmente são bem poucos que de fato sabem do que estão falando.

Para conhecer o centro histórico o ideal é reservar pelo menos uma tarde para perambular tranquilamente pela área, se quiser fazer com calma reserve um dia. Para compreender a urbanização da cidade, é interessante saber que diferentemente de outras cidades litorâneas, João Pessoa nasceu voltada para o seu interior. A cidade se desenvolveu basicamente a partir de dois pontos: a chamada Cidade Alta e a Cidade Baixa (também chamada de Varadouro), interligando esses dois pontos está a Ladeira de São Francisco (a rua mais antiga da cidade). A Cidade Alta se desenvolveu ao redor da Igreja Matriz e foi lá que a elite pessoense resolveu fixar residência, por isso ainda hoje vemos alguns resquícios dos antigos casarões. No trajeto que deixo como sugestão é possível ver as construções representativas dos diversos períodos: barroco, rococó, estilo maneirista, a arquitetura colonial e eclética, o art-noveau e o art decó.

Portanto, um bom de partida é começar pela Cidade Alta (1) e ir descendo, já que pra descer todo santo ajuda! Lá que está a Praça João Pessoa e por volta dela temos: o prédio do Tribunal de Justiça (1865), o Palácio da Redenção (1586) – sede do governo atual e em contraste com eles o edifício da Assembleia Legislativa (1835).

DSCN3561Tribunal de Justiça (foto: Laura Figueiredo)

DSCN3556Palácio da Redenção (foto: Laura Figueiredo)

DSCN3566Assembléia Legislativa (foto: Laura Figueiredo)

Seguindo pela Rua Duque de Caxias passe a Praça Vidal de Negreiros (2), a próxima parada é o Paraíba Palace Hotel. Desça em direção à Rua Peregrino de Carvalho. Na Praça Pedro Américo está o Theatro Santa Roza (3), o terceiro mais antigo do Brasil, vale a pena agendar uma visita pois seu interior é todo revestido  de madeira Pinho de Riga. Na sequência, suba de volta pela mesma rua e pegue a Avenida General Osório à esquerda até chegar ao Mosteiro de São Bento (4) (a mais antiga igreja da cidade, de 1590). Uma dica: no primeiro domingo do mês há apresentação de canto gregoriano.

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Mosteiro de São Bento

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Mosteiro de São Bento

Na Praça Dom Adauto (5) ficam as igrejas de Nossa Senhora do Carmo (1592) e a Capela de Santa Tereza D’Ávila (séc. XVIII), só é possível visitá-la por fora, além do Palácio do Carmo, sede da Arquidiocese da Paraíba. Na frente está uma das construções que eu mais gostei o Casarão de Azulejos (final séc. XIX) (6), com uma fachada repleta de azulejos portugueses, também só é possível visitá-lo por fora. Pertinho dali fica o Centro Cultural São Francisco, formado pela Igreja de São Francisco e pelo Convento de Santo Antônio, as principais “atrações” do centro histórico. É ali que começa a Ladeira São Francisco, que une a Cidade Alta à Cidade Baixa. Ao descer a ladeira passa-se em frente à Casa da Pólvora (7), com paredes e teto preservados de 1710. No final da ladeira, seguindo pela Rua Henrique Siqueira fica a Praça Antenor Navarro (8), em frente à praça está uma série de casas em estilo colonial tombadas pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) algumas abrigam galerias de arte e outras à noite funcionam como barzinho . Pertinho dali está a Igreja de São Frei e Pedro Gonçalvez (1843), e o antigo Hotel Globo (1929) (9). Uma dica bacana é assistir ao pôr-dos-sol no pátio do hotel, que possui uma vista linda do Rio Sanhauá. Dentro do hotel funcionam um posto de informações turísticas e um pequeno museu de visitação gratuita.

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Igreja de Nossa Senhora do Carmo e a Capela de Santa Tereza D’Ávila                              (foto: Laura Figueiredo)

DSCN3547Praça Antenor Navarro (foto: Laura Figueiredo)

DSC04719Hotel Globo

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Igreja de São Frei e Pedro Gonçalvez

Insisto em dizer que vale a pena “matar” a praia e fazer esse passeio. Na central de informações turísticas é distribuído um mapa com a sugestão de dois trajetos, bem similares à esse que escrevi, nele estão informados os horários que os monumentos ficam abertos, quais permitem visitação e os telefones de contato. O bacana é que a maioria dos monumentos está sinalizada com uma plaquinha informando a data de construção e um breve histórico isso auxilia bastante fazer o percurso por conta própria.

Não deixe para fazer esse passeio no domingo pois o centro fica muito deserto e pode ser até perigoso. Sábado a movimentação já é bem menor, pois o comércio local fica aberto até 12h00. No entanto é nesse dia que acontece o “Projeto Sabadinho Bom”, organizado pela prefeitura na Praça Barão do Rio Branco a partir do meio dia e que traz vários artistas para tocar Chorinho. O evento é gratuito!

Montei um mapa com as indicações aproximadas de cada prédio:

Mapa centro histórico_JP

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