Mosteiro dos Jerônimos tim-tim por tim-tim

Russia 038

Ainda no bairro de Belém encontramos outra jóia do estilo Manuelino, o Mosteiro dos Jerônimos (na minha opinião um dos monumentos mais lindos e imponentes de Lisboa). Vale a pena dedicar uma manhã e visita-lo com calma. Tenho a sensação de que o post ficará um pouco extenso pois resgatei uma pesquisa que havia feito na época da especialização e acho que pode servir como guia para quem vai sozinho visitar o Mosteiro.

Russia 040

Antigamente, entre a cidade de Lisboa e a entrada do Tejo, existia uma pequena praia abrigada de ventos fortes e com boas condições de navegabilidade que, na época dos Descobrimentos, cresceu em importância. Este local era chamado de “Praia do Restelo”. Era o porto mais seguro e mais procurado tanto pelos navios que entravam no Tejo, quanto pelos que se preparavam para deixar a cidade. Aliás, foi da Praia do Restelo que partiu a armada de Vasco da Gama em direcção à Índia, em 1497 e a de Pedro Álvares Cabral que aportou no Brasil, em 1500.

Mosteiro Jeronimos_Mosteiro dos Jerónimos - Filipe Lobo - 1657                        Fonte: http://www.mosteirojeronimos.pt/

Mosteiro Jeronimos_vista externa Fonte:http://www.mosteirojeronimos.pt/

Foi nesta área que o Rei D. Manuel I decidiu mandar construir o Mosteiro dos Jerônimos. No ano de 1501/1502 deu-se início à sua construção, que levou cerca de 100 anos para ficar pronta. Diogo de Boitaca foi o primeiro arquiteto responsável pelo projeto mas, com o passar dos anos, outros mestres ficaram encarregados da obra, correspondendo a cada um, uma nova fase de construção. A pedra branca, utilizada em toda construção é o calcário de lioz, muito abundante nesta zona.

A construção do Mosteiro foi custeada com a chamada “Vintena da Pimenta” ou seja, um imposto criado pelo Rei que consistia em 5% de todo o ouro trazido da Guiné bem como das especiarias e pedras preciosas vindas da Índia.

Até o ano de 1833 eram os monges da Ordem de S. Jerónimo que moravam no Mosteiro. Estes monges tinham como funções, entre outras, rezar pela alma do Rei e prestar assistência espiritual aos navegadores que da Praia do Restelo partiam à descoberta de novos mundos.

Antes de entrar no Mosteiro é interessante prestar atenção em alguns pontos:

Portal Sul

É a fachada composta por um grande portal e está voltada para o sul, obviamente. Engana-se quem pensa que essa é a entrada principal do Mosteiro, pois não é, apesar da sua grandiosidade e da riqueza da sua decoração. Alguns elementos merecem destaque:

Russia 039

Mosteiro Jeronimos_portal sul

Fonte: http://www.mosteirojeronimos.pt/

– Bem ao centro está Nossa Senhora dos Reis ou Santa Maria de Belém, sob a proteção da qual foi construído o Mosteiro. Na verdade o Mosteiro dos Jerônimos é também conhecido como Mosteiro de Santa Maria de Belém. Numa das mãos, Nossa Senhora segura o Menino-Deus; na outra, o vaso de ofertas dos Reis Magos;

– No pilar que se encontra exatamente entre as duas portas temos a estátua do Infante D. Henrique, de barba, representado como guerreiro, vestindo uma armadura e com uma espada na mão. Na base desse pilar existem dois leões, símbolos de S. Jerónimo;

– No cimo do portal temos o Arcanjo S. Miguel – Anjo Custódio (protetor) de Portugal.

Porta Principal

Mosteiro Jeronimos_porta principal Fonte:http://www.mosteirojeronimos.pt/

Com dimensões bem menores e menos majestoso que o Portal Sul, este é o mais importante Portal dos Jerônimos. Tanto pela sua localização (em frente ao Altar-Mor), quanto pela sua decoração. Nos nichos acima da porta encontram-se representadas Cenas do Nascimento de Jesus Cristo:

– Da esquerda para a direita :

  • Anunciação (o anjo anuncia a Maria que vai ser mãe de Jesus);
  • Natividade (representação do nascimento de Jesus);
  • Epifania (adoração dos Reis Magos). Mais abaixo encontram-se as estátuas do Rei D. Manuel I e da Rainha D. Maria, com os seus santos patronos: S. Jerónimo e S. João Batista, respectivamente.

Neste Portal trabalhou Nicolau de Chanterene que aqui introduziu alguns elementos característicos da Arte do Renascimento: os anjos vestidos à romana; os querubins (motivo decorativo composto por uma cabeça de criança com um par de asas); o pormenor e o realismo com que foram representadas as estátuas dos Reis e ainda o excelente estudo do nu de S. Jerônimo.

São Jerônimo está representado diversas vezes no interior do Mosteiro, seja em pintura, escultura ou em vitrais. As trê pinturas mais importantes são:

  • O Penitente no deserto, (no sub-Coro, junto ao túmulo de Vasco da Gama) – o santo é apresentado magro, num local deserto, castigando-se, com uma pedra na mão e meditando em frente de um crucifixo;
  • O Estudioso na sua cela (no Refeitório) – o santo está representado sentado à sua mesa de trabalho, rodeado de livros abertos;
  • O Doutor da Igreja (no Coro-Alto) – o santo encontra-se de pé, numa atitude solene, vestindo um traje vermelho, de cardeal, com o respectivo chapéu.

Uma boa dica para reconhecer São Jerônimo: ele está quase sempre representado com um leão e uma Bíblia.

A Igreja

Ao entrar temos a sensação de estar em uma gruta. O teto todo em abóbadado, é composto por várias nervuras, que são as estruturas de pedra que têm origem nos respectivos cantos para se multiplicarem pelo teto; chamada de abóbada polinervada. Na junção de cada uma das nervuras temos um elemento circular, feito de pedra, o fecho de abóbada. Nesses elementos encontramos motivos que caracterizam o estilo manuelino: a cruz da Ordem Militar de Cristo, a esfera armilar, as cordas náuticas e vários motivos representando a fauna e flora. Conforme caminhamos em direção à Capela-Mor, a zona mais escura da entrada vai dando lugar a zonas de grande luminosidade.

SONY DSC                                             Fonte: http://www.mosteirojeronimos.pt/

Mosteiro Jeronimos_igreja_teto abobadado

O sub-coro

É no sub-coro que estão dois túmulos de personalidades bastante conhecidas por nós brasileiros: no lado norte, o de Vasco da Gama; no lado sul, o de Luís de Camões.

  • Vasco da Gama (1468?-1524), foi quem descobriu o caminho marítimo para a Índia, um marco fundamental na História de Portugal e do mundo;

Mosteiro Jeronimos_Túmulo de Vasco da Gama

  • Luís de Camões (1524?–1580) foi o maior poeta português e um dos mais importantes da literatura europeia. Autor de Os Lusíadas onde descreve, de forma heróica, a aventura marítima dos portugueses. Nos respectivos túmulos estão representados alguns elementos decorativos referentes à vida e aos feitos destes dois personagens da História de Portugal.

DSC00663_1427x947

Seguindo pelo corredor central da igreja ou seja, na nave central o destaque fica por conta das colunas, ricamente decoradas! Embora não pareça, todos os vitrais do Mosteiro são já do séc. XX (1938). Os que cobrem os dois janelões da parede sul representam imagens dos reis fundadores, D. Manuel I e sua mulher, D. Maria, cada um deles com os respectivos santos patronos. D. Manuel, acompanhado por Vasco da Gama, antes da partida para a Índia e D. Maria rodeada das suas aias e de alguns monges jerônimos. No centro, está a imagem de Santa Maria de Belém ou Nossa Senhora dos Reis. A Virgem carrega o Menino no colo; em segundo plano, uma imagem de Lisboa antes do terramoto de 1755; embaixo, as naus dos Descobrimentos.

DSC00669_1427x947

Capela Mor

Na Capela-Mor estão dois túmulos de mármore colocados sobre elefantes, neles estão os restos mortais do rei D. Manuel I e de sua mulher, a rainha D. Maria (lado norte); do seu filho, Rei D. João III e de sua mulher, a Rainha D. Catarina de Áustria (lado sul).

Mosteiro Jeronimos_capela Fonte: http://www.mosteirojeronimos.pt/

Era a vontade do Rei D. Manuel I que o mosteiro servisse de panteão real (edifício funerário ou igreja onde se colocam túmulos de monarcas), tendo os monges ficado com a obrigação de rezar uma missa, por dia, pela alma do rei e dos seus sucessores.

A capela foi mandada construir pela Rainha D. Catarina e foi inaugurada em 1572. É possível observar as diferenças existentes na arquitetura da capela e no resto da Igreja. O arquiteto responsável pelo projeto da Capela foi Jerônimo de Ruão que introduziu elementos característicos da arte maneirista. Encontramos colunas de duas ordens clássicas, assim como a utilização de mármores coloridos em oposição ao calcário de lioz, empregue no corpo da Igreja.

No fundo da capela (atrás do altar) cinco pinturas da autoria de Lourenço de Salzedo chamam a atenção. São cenas que representam a Paixão de Cristo (na parte de cima) e a Adoração dos Reis Magos (na parte de baixo). As três pinturas de cima representam o sofrimento e a morte de Cristo, enquanto as duas de baixo se referem a Adoração dos Reis Magos. Ao centro encontra-se o magnífico sacrário de prata da autoria do ourives João de Sousa e oferecido pelo rei D. Pedro II, cumprindo a promessa de D. Afonso VI, em ação de graças pela vitória alcançada contra os espanhóis na Batalha de Montes Claros (1665), a qual pôs fim à Guerra da Restauração.

Claustro

Russia 047

Geralmente possui forma quadrangular com um ou dois andares constituídos por galerias cobertas, abertas para um pátio central  através de arcadas. Aparece quase sempre encostado a um dos lados da igreja, localizando-se à sua volta as várias dependências conventuais: sala do capítulo, refeitório, Sacristia e Coro Alto entre outras.

A visita ao claustro do Mosteiro dos Jerónimos é imprescindível pois esse é considerado um dos mais belos do mundo. Antigamente o local era destinado apenas aos monges que o usavam para a leitura, oração, meditação e lazer.

Nas alas e arcos do piso inferior do Claustro temos decoração manuelina, isto é, com representações naturalistas (plantas e animais de terras distantes), símbolos nacionais e emblemas do rei, bem como temas religiosos e náuticos. No piso superior a decoração é renascentista obedecendo a uma evolução natural do projeto.

Russia 054

Russia 048

É no claustro que encontramos o túmulo do poeta Fernando Pessoa, nascido em Lisboa (1888-1835) e autor do livro Mensagem com diversos poemas alusivos ao tema dos Descobrimentos. Seus restos mortais vieram para o Mosteiro em 1985.

Essas são as principais alas do Mosteiro dos Jerônimos a serem visitadas, o tempo de visita é vai depender da disposição e claro, da quantidade de turistas por metro quadrado. O ideal é poder visitar tranquilamente e não somente dizer que passou por dentro do Mosteiro. Os detalhes são muitos e enchem os olhos!

Algumas informações úteis:

  • Site do museu (aqui)
  • Horários de funcionamento:
    Outubro à Abril das 10h00 às 17h00
    Maio à Setembro das 10h00 às 18h00
  • Tarifas:
    Verifique a opção de entrada Combinada: Mosteiro dos Jerónimos+Torre de Belém (comentei sobre essa opção no post da   TorredeBelém )                                                         Entrada gratuita: domingos e feriados das 10h00 às 14h00
Anúncios
Esse post foi publicado em Lisboa, Portugal e marcado , . Guardar link permanente.

Dê vida ao Arquitetando Rotas, comente!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s