Sintra: uma Vila que merece bem mais que um bate-volta

Minha visita à Sintra foi (infelizmente) no esquema bate e volta. A grande maioria das pessoas conhece a Vila desse modo, mas a vila merece bem mais que isso pois tem muito a oferecer, fica localizada a apenas 28km de Lisboa, ir até Sintra é muito fácil seja de carro, trem ou ônibus (detalhes no final do post).

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Cheguei à conclusão que dedicar 1 dia para visitar Sintra é pouco pois é praticamente impossível visitar o imprescindível no esquema chegando pela manhã, retornando à tardinha. O mínimo a ser visitado é: Palácio da Pena, Castelo dos Mouros, Palácio Nacional e Quinta da Regaleira e fica bastante “puxado” e pouco proveitoso, na minha opinião, visita-las em seqüência.

A Vila foi em 1995 classificada pela UNESCO como Paisagem Cultural e Património da Humanidade, é um daqueles lugares mágicos, testemunho de quase todas as épocas da história portuguesa. Pode-se afirmar que Sintra é um lugar que guarda vestígios da história não só de Portugal como da própria história da humanidade.

O clima favorável, o solo fértil e a proximidade com o rio Tejo foram obviamente fatores determinantes para o interesse de ocupação deste pedaço de terra. Encontramos vestígios do Paleolítico e Neolítico à idade do Bronze e do Ferro, passando pelo período Romano (metade do século 2 a.C), domínio muçulmano até a fundação de Portugal (em 9 de janeiro de 1154 D. Affonso Henriques outorga Carta de Foral à Vila de Sintra), ao período dos Descobrimentos. A Vila sobreviveu ao terremoto de 1755 e teve seu auge de desenvolvimento entre o final do século XVIII e todo o século XIX.

O que ver em Sintra

Comece seu passeio pelo centro da velha Sintra, a Praça da República. Ao redor dessa praça estão diversas ruelinhas de paralelepípedos repletas de lojas de artesanato local, barzinhos, cafeteiras e restaurantes, todos muito charmosos! Uma pedida imperdível é comer um “travesseiro” (tradicional doce português da região) na Piriquita, aproveite o intervalo entre um passeio e outro e passe lá, não desista caso esteja lotado pois a fila anda bem rápido.

Infelizmente na minha rápida “aparição” por Sintra só tive tempo de visitar o Palácio, mas vou comentar sobre o que havia pesquisado dos demais locais.

Palácio Nacional de Sintra

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De todos os palácios que os monarcas portugueses mandaram erigir ao longo da Idade Média, apenas o de Sintra chegou até nossos dias praticamente intacto! Desde meados dos século XVI que a essência de sua configuração e aparência se mantêm.

As primeiras alusões ao palácio são anteriores à Reconquista, referenciados por um geógrafo árabe ainda no século XI “como dois castelos de extrema solidez”, que seriam: o chamado Castelo dos Mouros e o que existiria no local do do atual palácio. O Palácio teria servido então como habitação dos governantes mouros e, após 1147 dos reis cristãos.

Após a retomada de Sintra, não tardou os reis portugueses incluírem o Palácio de Sintra como ponto de refúgio da Corte durante os meses de verão. D.Dinis (reinado, 1279-1325) foi, provavelmente, o primeiro monarca a  interessar-se pelo paço.

As grandes modificações do Palácio ocorreram no período de D. João (reinado, 1385-1433). Com D. Manuel (reinado 1495-1521) ocorreram as campanhas de obras destinadas a embelezar e beneficiar o Palácio onde podemos destacar os elementos decorativos manuelinos (portas e janelas) e mudéjares (azulejos), além da construção da Sala dos Brasões.

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Nos anos seguintes foram poucas as intervenções feitas no Palácio e o acontecimento mais marcante que merece ser destacado, já posterior ao reinado de D. Manuel, foi o cativeiro de um rei sem trono: D. Afonso VI, episódio que marcou o fim do período mais intenso de ocupação  real do Palácio.

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O Palácio Nacional de Sintra foi classificado como Monumento Nacional em 1910 e integra-se na paisagem Cultural de Sintra, classificada pela UNESCO como Patrimônio Mundial da Humanidade desde 1995.

Castelo dos Mouros

Castelo dos Mouros_muralhaFoto: www.parquesdesintra.pt

O Castelo dos Mouros é uma fortificação construída por volta do século X após a conquista muçulmana da Península Ibérica. O castelo era de grande importância militar, pois com sua posição privilegiada permitia que os seus ocupantes avistassem tropas inimigas a quilômetros de distância.

Hoje em dia restam apenas as antigas guaritas e duas cinturas de muralhas que circundavam o local do castelo.

O Castelo fica bem próximo ao Palácio da Pena então deixe para visitar primeiro o Palácio e depois os Castelo, pois a visita ao Castelo é bastante cansativa em função da quantidade de subidas e descidas e é melhor chegar mais descansado para visitar o Palácio da Pena 🙂

Para chegar lá: ônibus número 434 que sai em frente do Centro de Turismo.

 

Parque e Palácio Nacional da Pena

palacio da pena_1Foto: www.parquesdesintra.pt

Considerado expoente máximo do Romantismo do século XIX em Portugal, o Parque e o Palácio Nacional da Pena nasceram da geniosidade de D. Fernando II onde encontramos referências arquitetónicas de influência manuelina e mourisca.

O local da construção (no alto de uma colina de 500m de altura) do Palácio foi escolhido de modo que pudesse ser observado de qualquer ponto do Parque, floresta e jardins, que possui mais de 500 espécies dos 4 cantos do mundo.

O Palácio propriamente dito é constituído por duas alas: o antigo convento manuelino da Ordem de São Jerónimo e a ala edificada no século XIX por D. Fernando II.

A história mais recente do Palácio começa em 1838 quando então o rei D. Fernando II adquiriu o antigo convento de monges Jerónimos de Nossa Senhora da Pena, que tinha sido erguido no topo da Serra de Sintra em 1511 pelo rei D. Manuel I e se encontrava abandonado desde 1834 período em que ocorrerão a extinção das ordens religiosas. O convento era composto pelo claustro e dependências, da capela, sacristia e torre sineira, que constituem hoje o núcleo norte do Palácio da Pena, ou Palácio Velho.

D. Fernando II começou a efetuar reparações no antigo convento, que, segundo fontes da época, se encontrava em péssimo estado de conservação. Remodelou todo o piso superior, substituindo as catorze celas por salas de maiores dimensões e cobrindo-as com  abóbadas. Em 1843, o rei decidiu ampliar o Palácio com a criação de uma nova ala (Palácio Novo) com salas de ainda maior dimensão, a exemplo o Salão Nobre, rematando-a com um torreão circular junto às novas cozinhas. A obra foi dirigida pelo Barão de Eschwege.

Passou por uma obra de restauro em 1994 na qual repuseram-se as cores originais no exterior do Palácio: rosa-velho para o antigo mosteiro, ocre para o Palácio Novo.

Ao transformar um antigo mosteiro numa residência acastelada, D. Fernando II revelou ter uma forte influência do romantismo alemão. Acredita-se que ele tenha se inspirado nos castelos à beira do Reno de Stolzenfels e Rheinstein, assim como na residência de Babelsberg em Potsdam. A obra do Palácio da Pena terminou em meados da década de 1860, embora postriormente tenham sido feitas remodelações na sua decoração de interiores.

Ao visita-lo podemos admirar o interior original do palácio, que foi mantido. Lá dentro é possível ver objetos pessoais do rei e da rainha, salas luxuosamente decoradas, fotos originais, mobiliários da época, etc.

Uma construção interessante de ser visitada que fica ao longo do Parque é o Chalé da Condessa (ou Casa Regalo), fica na parte mais ocidental do Parque da Pena. O local foi mandado construir por D. Fernando II e pela sua futura segunda mulher, Elise Hensler (Condessa d’Edla), para servir de local de veraneio reservado. Consiste em uma construção de dois pisos de inspiração alpina, que mantém uma expressiva relação visual com o Palácio.

Para chegar lá: ônibus: 434

chaletcondessadedla Foto: www.parquesdesintra.pt

Palácio Nacional e Jardins de Queluz

O Palácio Nacional de Queluz fica distante mais ou menos 15km de Sintra, mas como todo mundo que o visita sai de Sintra achei que valia pena incluí-lo no mesmo circuito.

Mandado construir em 1747 pelo futuro D. Pedro III, consorte de D. Maria I, o Palácio foi inicialmente concebido como residência de verão, mais tarde tornando-se o espaço de lazer e entretenimento da Família Real. Posteriormente tornou-se a residência oficial da Família Real onde ficaram até 1794 até à partida para o Brasil, em 1807, na sequência das invasões francesas.

O corpo principal do Palácio, terminou de ser construído em 1758, com formas baixas e serpenteadas, decoração harmoniosa e intimista, e posteriormente foi completado após o casamento do Infante D. Pedro com D. Maria Francisca, a futura rainha D. Maria I (1760),

O Palácio Nacional de Queluz e os seus jardins históricos constituem um dos exemplos mais extraordinários da comunhão entre paisagem e arquitetura palaciana em Portugal e ilustram a evolução do gosto da Corte nos séculos XVIII e XIX (período marcado pelo barroco, o rococó e o neoclassicismo).

 

Como chegar em Sintra:

– De trem: a partir de Lisboa (cada 10, 20 ou no máximo a cada 30 min. dependendo do horário), Estação Rossio (a mais central), Estação, Estação Jardim Zoológico/Sete Rios ou Roma / Areeiro. A estação de Sintra fica aproximadamente 1km do centro. Da estação é possível pegar ônibus, táxi ou ir andando pois é pertinho. A viagem dura cerca de 40min e a passagem ida e volta custa 4€. Mais informações no site Comboios de Portugalwww.cp.pt

– De carro: o acesso se dá pela IC19 e a viagem dura cerca de 30min. O estacionamento na cidade custa €0,50/h nos parquímetros espalhados pelas ruas (estacionamento próximo dos palácios principais é grátis). É importante lebrar que só é possível pagar um máximo de 4 horas por vez.

– De ônibus: a Scotturb pe uma das empresas que opera em Sintra e faz o trajeto da estação até o centro histórico, custa 1,10€

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4 respostas para Sintra: uma Vila que merece bem mais que um bate-volta

  1. Inês disse:

    Olá! Tou conhecendo seu blog há pouco tempo mas estou adorando. Te descobri através dos comentários no blog da DriMiller 🙂 Parabéns pelo blog. Bj (em Português o rio se chama Tejo!)

  2. Amanda Roth disse:

    Oi Inês! Fico muito feliz que estejas acompanhando e principalmente gostando do blog!
    Que bacana receber tua visita 🙂
    Pois é, eu acompanho o blog da DriMiller faz um bom tempo e sou das que comenta bastante, rsrs
    Vou corrigir o nome do Rio, realmente me passei na hora de escrever, obrigada!
    Volte sempre, bjs!!

  3. Denise Lemos Lysardo Teixeira disse:

    Adorei as dicas.
    Arquitetura e historia eh tudo de bom.
    Bj

  4. Amanda Roth disse:

    Oi Denise,
    obrigada pela visita!!
    Viajar sabendo o que estamos vendo tem muito graça, não?! 😉
    Bjs pra vcs!!

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