Visitando o Museu Calouste Gulbenkian

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Desde que a TAP começou a operar o voo Porto Alegre – Lisboa, Portugal passou a ser ponto de partida para vários roteiros dos gaúchos. Quando fui à Rússia estive em Lisboa por 3 dias em função de ter optado por esse voo. Para quem como eu não conhecia a terra dos nossos descobridores ficar esses 3 dias lá foi fascinante, mas confesso que foi pouquissimo tempo para explorar tudo que Lisboa tem de potencial turístico. Logo, fizemos um roteiro básico (que será postado aqui no blog) bastante enxuto para ter uma ideia geral da cidade.

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Acesso principal do museu, o paisagismo é deslumbrante

Entre os museus que visitamos o Calouste Gulbenkian foi um dos que mais me chamou a atenção, seja pelo projeto arquitetônico contemporâneo da edificação ou pelo pequeno mas extremamente precioso acervo. Localizado em uma grande área verde, Parque de Santa Gertrudes em Palhavã, o museu faz parte da Fundação Calouste Gulbenkian, uma das maiores instituições culturais do mundo que compreende: o museu, o centro de arte moderna, a orquestra, a biblioteca de arte e o Instituto Gulbenkian de Ciência, além de insentivar diversos projetos sociais.

Para aqueles que assim como eu não conhecem a história desse apreciador de arte fiz um pequeno resumo a partir da página do museu e de alguns materiais que pesquisei (revistas, wikipedia, guias).

Calouste Sarkis Gulbenkian (23.03.1869 – 20.07.1955)  nasceu em uma família de abastados comerciantes armênios oriunda da Capadócia. Estudou em Londres no King’s College onde obteve o diploma de Engenheiro (1887).

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Sr. Calouste Gulbenkian

Tornou-se um magnata armênio do petróleo onde ganhou o apelido de “senhor cinco por cento”, por causa das comissões que cobravaao negociar a exploração das reservas de petróleo do Iraque. Amante da arte e homem de raro sensível gosto, reuniu ao longo de sua vida uma extraordinária coleção de arte, principalmente européia e asiática de mais de 6.000 obras.

Na arte européia reuniu obras que vão desde os mestres primitivos à pintura impressionista. Uma parte desta coleção esteve exposta por empréstimo entre 1930 e 1950 na National Gallery em Londres e na Galeria Nacional de Arte em Washington D.C.

Além da pintura sua coleção possui belíssimas esculturas do antigo Egito, cerâmicas orientais, manusctiros, encadernações e livros antigos, preciosos vidros Sírios, além de uma coleção deslumbrante de jolaheria de René Lalique. Como se não bastasse também encontramos móveis franceses, tapeçarias, têxteis, moedas gregas e medalhas italianas do Renascimento. Quando faleceu (1955) sua coleção de obras de arte estava avaliada em cerca de 15 milhões de dólares.

Durante o período da Segunda Guerra Mundial Gulbenkian se mudou de Paris para Portugal, país neutro na época do conflito.

Em seu testamento (1953), era desejo de Calouste Gulbenkian que sua coleção reunida ao longo da vida ficasse exposta num mesmo local. Em 1969, as obras de arte deixaram o Palácio Pombal (onde estiveram expostas temporariamente), para inaugurarem o novo Museu, finalmente “intact and grouped together as an entity”.

Explorando o museu:

O circuito da visita começa pelo pavimento superior, na pequena sala dedicada à arte egípcia antiga (sala 1). Lá encontramos estátuas funerárias, esculturas de bronze, taças em alabastro, uma pequena cabeça em pedera obsidiana do faraó Amenhamat III da 12ª dinastia (Egito Antigo). As moedas e medalhas gregas, em que se se inclui um lote formado por toda a coleção Jameson (300 peças), constituem por si só uma das coleções mais importantes do mundo, todas elas em estado de conservação impecável.

amenhamat III_calouste gulbenkian Amenhamat III

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A sala seguinte (sala 2) abriga a coleção de arte romana e grega, o destaque fica para o baixo-relevo em tamanho natural que retrata um guerreiro assírio. A peça remonta ao século IX a.C.

alabastro Baixo relevo Sírio, Nimrud (884 – 859 a.C.)

Algumas das estrelas do acervo encontram-se na sala seguinte (sala 3, 4 e 5) dedicada à Arte Islâmica Oriental. Tapetes persas, cerâmicas otomanas e um maravilhoso mihrab (nicho em forma de abside que indica a posição da Meca), do século XIII. Ainda na mesma sala estão alguns evangelhos decorados com iluminuras, que Gulbenkian trouxe da Armênia.

156_774x1037Mihrab (século XIII)

Na sequência somos encaminhados para a Galeria do Extremo Oriente (sala 6) onde estão expostas cerâmicas, peças de jade e maravilhosas porcelanas.

A maior parte do museu é dedicada à arte Eurpopéia dos séculos XIII ao XX. Nesta ala (sala 9) o destque fica para algumas estão algumas antigas iluminuras e um tríptico (quadro em madeira dividido em 3 faces) confeccionado na França no século XIII, com cenas da Virgem Maria.

Nas artes decorativas o museu possui lindos exemplares de móveis Luís XV e XVI, confecionados no século XVIII e um belo conjunto de tapeçarias italianas retratando crianças brincando num bosque.

Entre as pinturas imperdíveis temos o Retrato de um velho, de Rembrandt e Fuga para o Egito, de Rubens, que retrata a Virgem Maria assustada, com Jesus no colo e cercada por animais ferozes. Um quadro simplesmente maravilhoso!

Figura de velho_Rembrandt_Calouste Gulbenkian Retrato de um velho, Rembrandt (1645)

Nas galerias do século XVII temos: Largillière, Boucher, Hubert Robert, Fragonard, Lépicié, Nattier, La Tour, entre outros. Nas esculturas não deixe de ver Diana, de Houdon, uma das obras primas da coleção.

IMG_0772                                                            Diana Arqueira de Houdon

Do período impressionista temos o Autorretrato, de Degas, e Menino fazendo bolhas, de Manet. Além desses pintores encontramos também obras de Gainsborough (grande retratista inglês), Turner, Renoir e Manet. Não bastasse esse time de peso, ainda de quebra o museu possui algumas esculturas de Rodin!

As bolas de sabao_Manet_Calouste Gulbenkian_1867Menino fazendo bolhas, Edouard Manet

Retrato de madame claude monet_monet_1872_1874_Calouste GulbenkianRetrato de madame claude monet, Monet (1872-1874)

Diana_Jean Antoine Houdon_1741_1742 Diana, Jean Antoine Houdon (1780)

A grande supresa da visita chama-se Galeria René Lalique, instalada no finalzinho da ala dedicada à arte européia. O acervo expõe jóias e vidros criados pelo joalheiro francês art noveau René Lalique, amigo de Calouste Gulbenkian. O conjunto é considerado único no mundo e é de encher os olhos de tão maravilhosas que são as peças.

Renee Lalique Peitoral Libélula, René Lalique (1897-1898)

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IMG_0782Frase na entrada do museu de autoria Calouste Sarkis Gulbenkian, bacana não?!

Fundação Calouste Gulbenkian                                                                                                       Av. de Berna 45A
1067-001 Lisboa                                                                                                                              E-mail: museu@gulbenkian.pt

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3 respostas para Visitando o Museu Calouste Gulbenkian

  1. Pingback: Conhecendo Lisboa em 3 dias | Arquitetando Rotas

  2. MarleneG de Carvalho disse:

    Mto lindo e didatico este teu blog, Amanda, parabens.

  3. Amanda Roth disse:

    Muito obrigada pelo carinho e elogios Marlene!
    Esse retorno é muito gratificante 🙂

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