Moscou, primeiros contatos

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Moscou sempre foi um daqueles destinos que eu sonhava em conhecer mas tinha um certo receio em me aventurar solo. Foi então que em 2012 foi apresentado qual seria o destino da turma de história da arte da PUCRS (curso que frequento desde 2008): Lisboa, Moscou, São Petersburgo e Helsinki. A pedida era perfeita, eu não conhecia nenhuma das cidades e de quebra ainda teria a Rússia básica: Moscou e São Petersburgo, é claro que me inscrevi na hora. Tive todas aquelas barbadas de não precisar me preocupar nem com hotel, nem com voos e tickets de trem, isso tudo foi feito pela agência organizadora. Feito isso, dei início as minhas pesquisas na internet, guias e papos com quem já tinha ido pra lá.

Fiquei em Moscou dois dias completos e foi pouco, muito pouco tempo. Geralmente as pessoas consideram São Petersburgo mais turística que Moscou e de fato é, eu diria que a St. Peter (como ela é chamada) possui mais pontos a “checar” e está mais bem preparada para receber o turista. Quando eu digo mais bem preparada é em relação à Moscou pois em relação a qualquer outra cidade da Europa falta muito…O fato de pouquíssimas pessoas falarem inglês, de praticamente todas as placas e nomes de estações de metrô e cardápios estarem em círilico complica bastante e exige um grande esforço. Mesmo em museus, que recebem muitos turistas, a comunicação é bem complicada.

Antes de contar qual roteiro que fiz, achei que seria interessante reunir aqui nesse post inicial algumas dicas importantes para quem está se preparando para conhecer a terra do skavurzka*

– Em que período ir: eu cheguei em Moscou no dia 06/10, estava começando o outono lá. Estava um frio bem suportável, por volta de 10 graus, não pequei nenhum dia de sol e no último dia choveu um pouquinho. Sei de pessoas que foram no auge do verão (junho/julho) e pegaram um calor infernal em Moscou. Eu não gosto muito de fazer turismo suando porque minha tolerância para calor é bem baixa, prefiro passar um pouco de frio. Mas aí vai da característica de cada um. Acho que ir no auge no inverno não é uma boa pois neva muito lá, o que inviabiliza bastante as caminhadas pelas ruas. Já a vantagem que vejo de ir no verão são os dias longos, o sol baixa lá pelas 22h!! O dia rende muito mais… É importante olhar antes os feriados nacionais pois alguns lugares, como o Kremlin fecham para visitações.

– Dinheiro: eu fiquei com receio da aceitação do cartão de crédito e acabei levando dinheiro, como eu saí de Lisboa fiz câmbio de Euro para Rublos lá antes de ir. Mas pelo que percebi o cartão de crédito era aceito na maior parte das lojas e dos restaurantes. É possível sacar Rublos nos caixas automáticos (eles possuem a opção em inglês) com o cartão VTM (Visa Travel Money) ou com o cartão do banco comum (você deve fazer o desbloqueio antes de viajar). Nas lojinhas e bilheterias dos museus geralmente só aceitam dinheiro…

– Quais roupas levar: se for durante o auge do inverno é muito importante um sapato impermeável em função da umidade (chuva ou neve), um bom casaco 7/8 (de preferência que não seja de lã pois em em função do tempo úmido ele poderá absorver muita água), aquelas roupas de usar por baixo que são térmicas (aquecem mas permitem que o corpo transpire), gorro, manta, luvas são imprescindíveis. O russos possuem o hábito de irem bem arrumados nas apresentações de ballet, então é bom levar uma roupinha mais social para essa ocasião. Alguns restaurantes mais chiques também exigem um dress code menos esportivo. E lembre-se, dentro dos museus, lojas, shoppings a calefação é bem quente, então o ideal é montar um look camadas 😉

– O idioma: quando eu ouvia e lia que poucas pessoas falavam inglês em Moscou e St. Peter eu sempre achava que era exagero de turista e achava que quando eu fosse confirmaria a minha teoria, ledo engano! É verdade que é bem difícil encontrar pessoas que falem inglês fora dos hotéis e quando digo hotel, me refiro à recepção pois as demais pessoas camareiras, governantas não falam uma palavrinha sequer…E olha que e logo na chegada já sofri na pele o probleminha da comunicação pois fui tomar banho e o box estava alagando o banheiro, como explicar isso para a camareira?! Só com muita, mas muita mímica! Caso você tenha disposição, acho que vale a pena pelo menos aprender o alfabeto cirílico. Isso ajudará não hora de descobrir onde fica a saída do metrô, qual o nome da estação ou até mesmo se você está entrando no banheiro certo!!

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– Transfer: eu tinha tudo incluído no pacote da agência, mas quem estiver indo por conta própria acho bom considerar o horário de chegada na cidade. Se for tarde da noite ou na madrugada um transfer do é uma boa opção. Uma empresa que o TripAdvisor indica é a Go-to.ru. Para voos diurnos aconselho usar o trem que leva do aeroporto Domodedovo ao centro da cidade, porque o trânsito de Moscou é enlouquecedor e não é bacana perder boa parte de um dia trancafiado dentro de um táxi ou ônibus. As informações sobre transporte para o Domodedovo estão aqui e para os aeroportos de Sheremetievo(aqui) e Vnukovo (aqui) estão aqui.

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– Viagem entre Moscou e São Petersburgo: fizemos o trecho no trem de alta velocidade, o SAPSAN. Achei melhor em função da praticidade, a estação era na frente do nosso hotel e evitamos toda a função de deslocamento para aeroporto, despache de malas, etc. A viagem é uma delícia, o trem é muito confortável, tem bar, serviço de bordo (na primeira classe) e até wi-fi durante todo o trajeto. Não precisei comprar os tickets, mas isso pode ser feito previamente pela internet e apesar da página das ferrovias russas não estar traduzida para o inglês, é possível encontrar alguns tutoriais feitos pelo pessoal que frequenta os fóruns da Rússia no Trip Advisor (aqui). Outra opção é contatar uma agência para fazer isso e pagar um pouquinho a mais pela mordomia =)

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– Atravessando as ruas: item importantíssimo, não tente atravessar as ruas pela superfície, utilize as passagens subterrâneas. Tanto Moscou como Sâo Petersburgo possuem avenidas enormes e atravessa-las poderá ser uma verdadeira odisseia Geralmente as passagens estão perto das esquinas, são seguras e lotadas de lojinhas de quinquilharias.

– Como se locomover dentro da cidade: algumas pessoas já tinham me alertado e ao chegar lá e conversar com a nossa guia confirmei, não vá de táxi. Na Rússia qualquer pessoa que possua um carro pode virar “taxista”. Não existe taxímetro nem nos táxis nem obviamente nas pessoas que resolvem transportar alguém. O valor a ser cobrado pela “corrida” é negociado entre o motorista e o passageiro, isso fica bastante complicado se levarmos em consideração o fato da negociação ser feita em russo! E detalhe: isso tudo é legal. Eliminada a opção táxi sobra o metrô e os ônibus. Em função do trânsito caótico eu ficaria com o metrô, mesmo com toda dificuldade em saber o nome das estações…isso sem mencionar o fato de algumas estações terem mais de um nome :S No salvador da Pátria Trip Advisor (aqui) também encontrei um post/tutorial sobre como usar o metrô…

Em São Petersburgo acho que o ideal é ir caminhando mesmo, as atrações são próximas e a cidade é um pouco menos agitada que Moscou.

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– Visitando as Igrejas ortodoxas: as mulheres devem cobrir a cabeça em sinal de respeito, como fui no outono, não me preocupei com isso pois já estava de gorro ou boina. Mas no verão é interessante deixar um lenço na bolsa.

*A única palavra que eu achava que sabia em russo era Skavurzka, é claro que fui perguntar o significado à guia. Qual não foi a minha surpresa quando ela respondeu: “skavurzka, essa palavra não existe em russo”!!! E aqui está a confirmação.

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6 respostas para Moscou, primeiros contatos

  1. Angela Mello disse:

    Parabéns. Adorei o post. Estou torcendo pelo Blog.
    Beijos. Angela

  2. Leonardo Caldas disse:

    Petitchutchuca,

    Adorei o Post, parabéns!!!

    Mts Bjs

  3. Amanda Roth disse:

    O próximo será o roteiro de Moscou =)
    Bjs!!

  4. Amanda Roth disse:

    Estou cheia de visitas ilustres,
    que bom que tu gostou! 😀
    Bjks!!

  5. Jurandir Algarves Fortes disse:

    Entramos na Rússia vindo de Tallinn, a bela capital da Estônia. E fomos direto para São Petersburgo onde passei dois dias conhecendo os principais pontos turísticos da cidade e os museus da Catarina I e de Hermitage. Seguindo para Moscou atravessamos o interior e visitamos Tver, uma breve parada em Klin onde conhecemos a casa do genial Tchaikovsky e depois fomos conhecer o centro espiritual mais importante da Rússia. O mosteiro da Trindade em Sergiev Posad. Passamos por Alexandrov onde está o Kremlin de Ivan o Terrível e tivemos um jantar em Suzdal abrilhantado por um grupo folclórico. E finalmente chegamos a Moscou depois de rodar por mais de 500 km, de ônibus. Moscou é uma São Paulo maior e com problemas parecidos.Tem muita arquitetura francesa, da época da realeza, construções do período comunista e o lado moderno que desponta com construções arrojadas. Pouca gente fala inglês, ou outro idioma, mas a gente consegue se virar. Foi uma viagem sensacional, realizamos no mês de maio 2014, e felizmente estava calor e não pegamos chuva.

  6. Amanda Roth disse:

    Oi Jurandir! Que bacana teu relato da viagem, resumiste muito bem Moscou, também achei que lembrou muito o caos de São Paulo, afinal eh uma grande capital. Foram quantos dias de viagem? O blog ajudou na programação? Muito obrigada pela visita e volte mais vezes! Um abraço
    (p.s. desculpe a falta de acentos, estou em um teclado que não consegui habilitar)

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